A Pesada Estranheza do Ser

Vou cantar pra não cair fingindo ser alguém de bem...

Se eu tive um grande medo na vida, um pânico, era o medo de ser 'comum'... O medo de ser só mais uma criatura humana, só mais uma garota, só mais uma...

Sempre tive medo de não conseguir fazer nada de especial, de não mudar nada ao meu redor, de não mostrar para as pessoas que as coisas só se tornaram impossíveis porque um dia alguém assim falou e todos acreditaram...



Tem um paradigma que cabe aqui, para elucidar o que estou falando, que foi um experimento que cientistas fizeram com macacos...

Colocaram alguns macacos numa ilha e, num cume qualquer colocaram um cacho de bananas... Os macacos foram lá e se serviram do cacho, dia após dia.
Um dia, os cientistas colocaram um dispositivo que dava um choque ao tocar no cacho. Por alguns dias, um ou outro macaco tentava ainda pegar o cacho, até que os cientistas observaram que nenhum macaco chegava perto mais do cume e mais, batiam em macacos que tentavam chegar no cume do cacho... O mais espantoso e nunca entendido pelos cientistas: depois de longo tempo, trocaram os macacos da ilha, trouxeram macacos de muito distante daquela ilha e tiraram o dispositivo do cume... Nenhum macaco se aproximava e nem pegava o cacho...









Mas o que eu nunca parei para mensurar, é que ser a pessoa que não tem medo da luz que aparece todos os dias no fim da caverna, ir até ela, descobrir que há um mundo do lado de fora e voltar, geralmente não é bem visto pelos 'outros'.


 Há um preço a se pagar por ser 'diferente'... Há um preço a se pagar por ser 'comum' também, mas as pessoas estão tão acostumadas que nem percebem...


 Quem é você que explora o Sol mas é tão frio?


Uma das questões que torna a vida insuportavelmente mais difícil para quem nasce diferente, ou escolhe não ser pateticamente comum, é que você vai ser muito bom em algumas coisas, principalmente em coisas racionais, e vai ser um lixo em outras, que quase sempre são emocionais...

Também, pudera... ser criado por pessoas limitadas, em lugares limitados, numa sociedade limitada, num mundo nem um pouco limitado, mas que faz de tudo para que assim se acredite, o mínimo que podíamos ser é "destrambelhados".


No meu caso, consigo ser brilhantemente prática, penso muuuuuito à frente, resolvo situações, sei lá, como diria Felipe Neto, faço malabarismo com o cú, mas consigo ser burlescamente crente das pessoas e de seus amores...

Consigo me flagelar por pessoas que por algum motivo eu simplesmente acredito que se importam comigo como me importo com elas... Mas na verdade... eu me importo com todo mundo! - Eu difuso enfim


Aí eu ando na rua e encontro minha melhor amiga de infância, na minha cabeça, ela ainda é minha melhor amiga, nós só crescemos, mas na realidade (e o que pode ser chamado assim?) ela atravessa a rua e dá um sorriso amarelo, como se acabasse de encontrar a pessoa mais asquerosa do mundo.



E aí, sei lá... parece que as pessoas me vêem como se eu fosse de aço... Todo mundo pode vir, arrancar um pedaço, fazer o que quiser, dizer o que quiser e tudo bem... Sou esclarecida... eu aguento... Mas eu... não.. eu não... eu não posso ter explosões, eu não posso me magoar, não posso me sentir perdida, não posso ter medo... só posso ser crucificada... 

 E aí acaba acontecendo uma coisa muito desconfortável e curiosa... Me sinto tão diferente e tão única, que não quero estar perto das pessoas... De ninguém... É como se rolasse uma conspiração... Todos, nesse momento, estão te julgando, falando de você... Te vendo nas redes sociais e apontando o dedo, pensando mal de você, não respondem seus inbox, sms, what app etc por quê só você não percebeu o quanto é odiável... Ninguém gosta de você... Ninguém quer estar perto e você. Você é chata. É incapaz. É dramática.  É inconveniente...



O mundo anda hostil...




Então ás vezes dá vontade de sumir... Sumir para ficar em paz... Jogar tudo pra cima.. Ficar sã, mesmo se for só...




Dá vontade de excluir a conta do Facebook, jogar o celular no lixo, deixar qualquer coisa que me remeta ao mundo para trás.. e sair... talvez com dinheiro no bolso, para poder chegar mais longe, mas sair sem destino, sem hora, senhora de mim.








 É ruim sentir isso porque dá um mix de ódio/desprezo/asco das pessoas... Quando na verdade elas nem fizeram nada... Ou fizeram... não dá para afirmar...




E sei lá... não tenho uma conclusão pra tudo isso na verdade... São coisas que sinto e nem sei se interessa a alguém...

As coisas só parecem fugir cada vez mais e mais do controle... E não do controle onde eu dou as ordens e mando, do controle tipo quando eu achava que sabia o que tava acontecendo à minha volta... achava que sabia quem estava à minha volta...


A outra vida se foi



Comentários

  1. Você me descreveu totalmente, totalmente mesmo!Parece que entrou com uma sonda no meu cérebro!rs
    Eu sempre fui muito "diferente" de todos a minha volta e isso nunca foi um privilégio,pelo contrário, me fez sofrer muito, de mais. Fez com que eu desenvolvesse dentro de mim um sentimento de sempre estar errada, de ser inadequada, de não servir para agradar os outros. Então, quando sinto essas críticas, a primeira coisa que faço é culpar a mim mesma, muitas vezes apenas por ter nascido, que parece já ser o suficiente para causar tanto incomodo nos outros.
    As pessoas acham que me congecem, apenas por um blog, por uma conta de facebook. As pessoas NÃO me conhecem!Acham que sou intensa ou quero aparecer pelas banalidades que curto ou compartilho. Essas coisas que para elas são tão profundas, pra mim são apenas parte da minha casca.Até minha casca é maior que isso. me canso de viver,cm vc disse, em um mundo limitado,de pessoas limitadas, onde qualquer passo que vc se atrever a dar adiante, será um motivo para te julgarem. Ás vezes eu quero que tudo isso se dane,mas muitas vezes, doi de mais...

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